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O LIBERTINO QUE NÓS AMAMOS (NOS ROMANCES DE ÉPOCA) - POR CAROLINE SALIGNAC

10/08/2021

 


Se você já leu algum romance de época, deve ter se esbarrado com a figura do libertino. Sim, o libertino dos RÉs é o galã com um humor sarcástico e irônico, de bela aparência, bom de cama, que conquista todas as mulheres, mas ao se deparar com o amor da sua vida, torna-se o esposo mais fiel que existe na face da terra. Você com certeza já deve tê-lo visto em algum romance e se apaixonado quase de imediato por ele.

Mas esta representação do libertino dentro do gênero, na verdade, é uma ilusão. Neste post, vamos destrinchar um pouco essa figura.

Como, de fato, era um libertino?

Os libertinos reais do passado, como Casanova, Lord Byron, Petrônio Marquês de Sade, dentre outros, não tinham uma sexualidade definida. Eles se relacionavam tanto com homens quanto mulheres, em alguns casos, até com crianças; tinham desvio de personalidade, e com toda a certeza, mesmo que estivessem apaixonados, jamais seriam fiéis. 

Podres de ricos, com o humor ácido, de bela aparência, e bons de lábia, seduziam qualquer pessoa que quisessem, essas eram as principais características dos libertinos, e talvez as únicas que se assemelham com os personagens dos RÉs.

Vamos conhecer alguns desses libertinos em sua totalidade:

Lord Byron: Com um título de barão, Lord Byron estudou nas melhores faculdades, inclusive chegou a se apaixonar por um amigo em Cambridge, chamado John Edleston, e escreveu vários poemas com cunho pessimista, com a morte sendo o tema central. Mas vamos ao que interessa, Lord Byron teve diversos relacionamentos românticos, no mesmo ano que se relacionava com Caroline Lamb (escritora) também se relacionou com Jane Elizabeth Scott.

Logo depois teve um relacionamento incestuoso com a meia-irmã que era mais velha que ele, inclusive, ela até engravidou dele, mas Byron não assumiu a paternidade por não ter certeza se era o pai. Viveu por um tempo com o casal Shelley (sabe a autora de Frankenstein? É ela mesma, Mary Shelley), e há alguns boatos que ele chegou a se relacionar com os dois, mas há provas concretas de que ele chegou a ter intimidades com a irmã de Mary. Relacionou-se com mulheres casadas, apaixonou-se por meninas, dentre outras coisas. Por fim, foi considerado herói nacional na Grécia por lutar na guerra de independência do país. Vida boa, hein?

Marquês de Sade: Já Marquês de Sade teve uma vida mais agitada. Escritor libertino, sua obra era pornográfica e terrivelmente sádica, inclusive o termo “sádico” veio justamente do nome do marquês, “Sade”, fazendo referências as cenas de crueldade e tortura descritas em seus escritos. Marquês era casado, mas isso não o impedia de viver sua libertinagem, foi preso logo nos anos iniciais do matrimônio por libertinagem. 

Realizava grandes festas e orgias, provocando escândalos, por também envolver criados e prostitutas no meio. Sade passou grande parte de sua vida em prisões e manicômios, pagando por crimes de licenciosidade, perversões e violências sexuais. O próprio Napoleão jogou uma de suas obras (Justine) no fogo, afirmando ser o livro mais abominável já escrito. Sade chegou a ser condenado à pena de morte, mas foi liberado. Ele se envolvia com mulheres, homens, crianças, tudo. Se você tem interesse em saber mais sobre suas libertinagens, leia o livro “120 de Sodoma”.

Por que os libertinos dos RÉs são tão diferentes da realidade?

Simplesmente os libertinos retratados no gênero correspondem aos ideais do público leitor feminino. As leitoras (desse gênero) não gostam de ler sobre adultério, pedofilia, alto nível de sadomasoquismo, nem ver a mocinha sofrer horrores pelo desvio de conduta do amor da sua vida, como vemos em vários clássicos, como por exemplo, a situação de Flor e Vadinho, em “Dona Flor e seus dois maridos”, de Jorge Amado, ou a situação angustiante da protagonista em “A baronesa do amor”, de Joaquim Manuel de Macedo, que se casa com um libertino da pior espécie e sofre por conta disso.

Não, as leitoras não querem vivenciar essas tragédias, muito pelo contrário, elas se satisfazem com o arco de redenção do mocinho sem virtude e canalha. Adoram ver o libertino (que jurava nunca se amarrar num relacionamento) virar “cadelinha” da mocinha e constituir uma bela família feliz. Tudo muito diferente do que foi a vida de um libertino.

Mas os libertinos apresentados nos RÉs só tem a fama, já que a maioria das escritoras não descrevem, de fato, os rapazes em meio às orgias e bacanais. A narrativa passa muito longe do que seria um libertino. Pense no maior libertino que leu e me responda: Há alguma cena em que o devasso tem intimidades com alguém sem ser a mocinha? Ou flerta com alguém sem ser a mocinha? De onde vem a fama de libertino? Há menção de alguma amante? Há menção de algum episódio obsceno em que ele esteja envolvido? Se a resposta for não, você caiu no conto do falso libertino, que geralmente floreiam os RÉs mais conhecidos.

Separei alguns exemplos de personagens que nos lembram vagamente o que se seria um libertino dos séculos passados. A descrição deles responde positivamente ao menos uma das questões levantadas no parágrafo anterior, são eles:

Branden Granville (Aprendendo a seduzir, de Patricia Cabot);

Edwards Rawlings (A rosa do inverno, de Patricia Cabot);

Sebastian St. Vincent (Pecados no inverno, Lisa Kleypas);

Sebastian Ballister (O príncipe dos canalhas, de Loretta Chaise) – tenho algumas ressalvas sobre este libertino, mas ele também se enquadra na lista;

Marquês de Ralston (Nove regras a ignorar antes de se apaixonar, de Sarah MacLean);

Colin Sandhurst Payne (Uma semana para se perder, de Tessa Dare).

Se você leu algum romance de época ou clássico, que existe a figura do libertino, conta aqui pra gente nos comentários. Se quiser complementar ou discordar do post, também pode comentar.

Comentários
2 Comentários

2 comentários:

  1. Oi
    eu já li vários romances de épocas com libertinos, eu gosto dos personagens dos livros, apesar de me irritar com alguns, esses que você citou que existiram eu odiaria ver eles em livros.
    Gostei do poste e do assunto tratado.

    https://momentocrivelli.blogspot.com/

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  2. olá!
    Amei as dicas de livros onde encontramos os libertinos do passado e sou louca para conhecer a escrita da Tessa, estou com alguns títulos de livros para ler dela mas, ainda não comprei nenhum. Estou optando ler os que tenho e os que peguei emprestado já que uma amiga comprou diversos livros e estou pegando os que ela adquiriu para eu ler rs
    Beijos.


    https://www.parafraseandocomvanessa.com.br/

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