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CURIOSIDADES SOBRE A MOCINHA REBELDE NOS ROMANCES DE ÉPOCA - POR CAROLINE SALIGNAC

22/04/2021

Se você tem o costume de ler romances de época, certamente já deve ter se deparado com o clichê da mocinha rebelde. É aquela personagem que rompe o modelo tradicional e se estabelece no universo ficcional como alguém à frente do seu tempo.

Nas narrativas de romances de época, em sua maioria, a protagonista é uma mulher com ideais fortes, insubmissa, rebelde e questionadora, que confronta o comportamento social de seu tempo. Sob a ótica dessa protagonista, o leitor desenvolve o senso crítico acerca das bizarrices do passado em confronto com a sociedade atual.

 

Mas, afinal, como se comportavam as mulheres no século XIX?

Sabemos que no século XIX, a mulher deveria obedecer uma série de normas e códigos do bom-tom. Ela, por exemplo, não podia ficar a sós com uma pessoa do sexo oposto, não podia dançar tantas vezes com um só parceiro, não podia falar em reuniões sociais e até o seu riso tinha de ser contido.

Tudo o que ela fizesse tinha o intuito de agradar o outro e assim conseguir um bom casamento, dessa forma, todas as suas atitudes e atributos eram direcionados a atrair um bom pretendente. A mulher, nesse período, só tinha um objetivo de vida: adquirir matrimônio.

A sociedade oitocentista moldou mulheres submissas, inferiores, leigas, silenciosas e obedientes. Portanto, uma protagonista que fugisse desse padrão era considerada rebelde.

 

E como eram as moças dos romances clássicos?

Nos clássicos, escritos em sua maioria por homens, é raro encontrar uma protagonista de peso, que se rebele contra os padrões impostos. Encontramos nesses clássicos, arquétipos de mocinhas dóceis, fragilizadas, puras, leigas e ingênuas. Ou o seu contraponto, que seria a mulher sedutora, aquela que arruína o protagonista masculino, torna-se uma monstruosidade, a femme fatale, e etc.

Não há meio termo em que a personagem feminina se configure como sujeito, como centro da narrativa, ou é descrita de forma genuína e correta.


As mocinhas rebeldes dos romances de época

No RÉ*, temos a chance de alterar a construção da personagem feminina nas narrativas e destacar não só a sua feminilidade, mas o seu poder como protagonista de sua própria história. A mulher deixa de ser objeto e passa a ser sujeito. Ela tem o poder da escolha e poder de traçar seu próprio destino, além de ter atitudes e pensamentos que condizem mais com a época contemporânea do que a época em que se ambienta a história.

Não pense que é um erro das escritoras de RÉ construir personagens femininas fortes ou que buscam a emancipação. Na verdade, isso é uma característica bastante presente dentro do gênero, porque possibilita a leitora atual se identificar com a personagem do livro.

No gênero, a trama central se desenvolve a partir de relacionamentos românticos, de um casal central que culmina em um casamento ou numa união por amor. Contudo, ainda podemos perceber as nuances do peso da protagonista.

É certo que dentro do gênero de RÉ, há diversas configurações de mocinhas. Elas são descritas de diferentes trejeitos, personalidades, fisionomias, classes sociais. No entanto, a protagonista mais aparente dentro dessas narrativas é a rebelde, a mocinha à frente do seu tempo.

Tal mulher tem ideias avançadas e foge às convenções sociais, pensa e age como indivíduo da época retratada na obra, mas é visionária, politizada e à frente do seu tempo.

 

As características das mocinhas rebeldes

Esse tipo de personagem é insubmissa, que não tem medo de confrontar o mocinho, como a Kate, em “O visconde que me amava”, de Julia Quinn. E acaba se tornando uma pedrinha no sapato do protagonista, destacando as imperfeições do galã da narrativa e o confrontando, sempre que possível, acerca desses defeitos e atitudes incoerentes.

Temos a mocinha que confronta a sociedade, como a Peggy em “A rosa do inverno”, de Patricia Cabot; ou aquela que, embora estivesse beirando o estigma da solteirona, é superior à situação e não aceita migalhas, como a Minerva, em “Codinome Lady V”, de Lorraine Heath. Até mesmo em “Arrufos – desavenças de amor”, livro de minha autoria, Amélia – e até mesmo Inocência – tem uma visão crítica acerca da sociedade e não admite as injustiças tanto raciais como sexuais.

Tais mulheres são personagens que não conseguem se enquadrar no meio social e não fazem questão disso, Elas estão acima dos estigmas e não têm medo de expressar opiniões, emoções e pensamentos. Também não se intimidam pelos personagens masculinos, mas se mostram corajosas para confrontá-los.

 

O que esse tipo de personagem deseja despertar no leitor?

Sendo assim, sob a ótica da mocinha rebelde, o leitor tem a chance de questionar, através do contato com a sociedade fictícia, a própria sociedade em que vive. A protagonista com esse perfil é importante para se discutir a condição feminina e como a mulher pode romper padrões sociais e patriarcais.

Embora o gênero retrate um período passado (geralmente os livros são ambientados no século XIX), a mocinha não é insossa nem superficial, mas tem fortes opiniões e não aceita os critérios sociais impostos.

Enfim, você conhece algum Romance de época que tenha esse perfil de protagonista?

*Abreviação de Romance de época.

Romance de época: O gênero concentra em retratar narrativas românticas ambientadas em épocas passadas, mas sem focar em eventos nem pessoas históricas.


Comentários
6 Comentários

6 comentários:

  1. Bem interessante o tema abordado.

    www.paginasempreto.blogspot.com.br

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  2. Oi
    gostei do artigo, leio sempre romances de época e tem protagonistas dos que eu li que possuem essas descrições, como a Billie Bridgerton de Uma Dama Fora dos Padrões da Julia Quinn e até a Sofia de A Indomável Sofia da Georgette Heyer.

    momentocrivelli.blogspot.com

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    1. Isso mesmo Denise, que bom que gosta do gênero. Obrigada pela sua visita!

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  3. Olá,

    Na verdade ultimamente só tenho encontrado protagonistas nos romances de época com essas características que já estou até cansando.
    É bacana a exploração de uma mulher mais a frente do seu tempo, forte e determinada, mas infelizmente acabou se tornando bem clichê nos livros de época ainda mais pela temática sempre ser quase a mesma, eu gosto, mas espero encontrar alguns livros com temáticas mais diferentes com esse tipo de protagonista.


    Bjs
    https://diariodoslivrosblog.blogspot.com/

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    1. É verdade Jessica, é preciso ter uma moderação. Obrigada pela sua observação!

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