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COMO CONSTRUIR PERSONAGENS REALISTAS? - POR RAPHAEL COUTINHO

04/05/2021 Comentários (4)

 

E aí, escritor(a). Vamos de dicas?

A dica de hoje é bem simples, porém muito importante se você for uma daquelas pessoas que se preocupa em criar nas suas estórias personagens cativantes, com humanidade, profundidade e realismo. Sabe aquele(a) protagonista com alma, quase de carne e osso? Vou te ensinar a como chegar neste ponto. Para isso, precisará construir bem esses 4 elementos:

1- um passado,

2- um futuro,

3- um conflito interno e

4 - um conflito externo.

 

Tendo esses 4 elementos em mente, o que você precisará fazer é conectar tudo de maneira organizada e inteligente ao decorrer do seu livro. Como trabalhando o "passado". De modo que esse "passado" do personagem esteja intimamente ligado ao "conflito interno" do mesmo. Esse passado pode ser um grande trauma, uma enorme perda, um amor não superado, um sentimento de vingança latente... isso vai da sua criatividade como autor(a). Mas lembre-se de que, quando for apresentar esse passado, faça aos poucos, não vomite tudo no primeiro capítulo.


Para ficar mais fácil, te faço a seguinte provocação: se você tivesse algo a esconder, sairia contando tudo de uma vez só ao primeiro estranho que visse, ainda mais assim tão fácil? Lógico que não. E a mesma regra vale para o seu livro com o seu leitor. Todo esse conflito interno, vinculado às memórias de um passado, movimentará muito a sua trama no aspecto micro, tornando-a ainda mais realista e interessante se feita com certo mistério.

Use de maneira estratégica os diálogos e os flashback com esse intuito, não apenas a mera narração em um parágrafo.

 Já no aspecto macro, temos o "conflito externo", que está mais intimamente ligado ao objetivo a ser construído na trama pelo seu protagonista, ao que o espera no futuro. Várias vezes ele poderá fraquejar ou duvidar de si mesmo (na clássica "recusa ao chamado" da Jornada do Herói), pois seu "conflito interno" o paralisará, diante da crença de que não pode ou não deve, por conta de tudo aquilo que lhe ocorreu em seu passado.

Todas essas falsas certezas sobre si ou sobre o seu propósito o confundirão e, diante disso, os 4 elementos aqui apresentados devem se chocar. De modo que a sua narrativa não deve ser retilínea, mas uma alternância de altos e baixos, tensão e alívio, sempre. 



Resumindo...

É preciso estar quebrado para querer se reconstruir. É preciso estar perdido para, só então, buscar se encontrar. E estas regras da vida real valem também para as vidas que serão criadas por você em seu livro. Seu protagonista só conseguirá chegar no objetivo final, cumprir sua missão na narrativa, rompendo com tudo aquilo que o paralisou e o fez duvidar de si.

Descrever aos poucos a superação do passado é uma forma de traçar um novo destino em seu futuro. Com isso, seu ele(a) evoluirá e terminará melhor do que foi um dia (falaremos mais disso em Jornada do Personagem).

Espero que eu tenha te ajudado. Se sim, deixe aqui nos comentários. Preciso do seu feedback!

Até a próxima!

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Raphael Coutinho possui formação em Marketing e é um dos principais autores do Grupo Editorial Coerência. Seu livro mais conhecida é “O garoto chamado Tony Louco”, obra juvenil ambientada nas nossas escolas públicas, que lhe concedeu diversos prêmios. Também publicou contos em algumas antologias e revistas literárias. Atualmente se dedica a dividir seus tempo com o ofício da escrita, voluntariado e o serviço público.


A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA PARA INCENTIVAR A DIVERSIDADE E INCLUSÃO - POR N. LAYBER

26/04/2021 Comentários (8)


Suspiros, lágrimas, gargalhadas e gritos abafados pelo travesseiro são apenas algumas das reações que fazem parte da vida de todo leitor. Bom, a verdade é que essa combinação de respostas emocionais variam muito de pessoa para pessoa, afinal tem gente que ama ler no ônibus e nem pode pensar em gritar naquela cena que ficou o livro todo esperando para acontecer. Já outros têm o coração bem forte e não choram nem diante do mais meloso dos romances.

Existem leitores de todos os tipos, uns amam uma boa aventura, já tem quem morra por uma boa história de terror. O importante é que cada um, com suas manias, gostos e preferências é um ser único e especial.

Então se somos tão diferentes em nosso gosto pessoal, como eu posso ter a certeza que existe uma grande possibilidade de o casal do seu livro favorito de romance ser composto por duas pessoas brancas, onde provavelmente uma delas tem olhos claros ou cabelo loiro?

Para aqueles que são fãs do suspense, não duvido que o personagem principal daquele thriller que nunca sai da sua cabeceira mora num bairro que nem parece existir no Brasil. Convido você, caro leitor, a avaliar suas histórias favoritas e tentar me dizer que estou errada. Acredite, eu mesma me avaliei e percebi que seguia esse padrão.

Ausência de personagens principais não brancos, empregadas domésticas que sempre são descritas como pessoas negras, romances cheios de abusos mascarados por palavras doces, pessoas bem sucedidas sempre descritas como aquele cara alto, forte, loiro e barbudo são apenas alguns dos exemplos de situações que encontramos frequentemente em livros comercializados no Brasil e no mundo.

A grande questão aqui é que tudo o que deixamos fazer parte da nossa vida acaba influenciando a forma como vemos as pessoas ao nosso redor.

Então, se estou sempre lendo romances onde situações de abuso passam por aceitáveis, será que no dia a dia não vou considerá-las aceitáveis também? Ou se nunca li um livro no qual uma mulher é descrita em uma situação de poder, isso não vai influenciar a forma como vejo as mulheres no meu local de trabalho?

Existe muito para discutirmos sobre como nossa literatura pode ser uma aliada na luta a favor da diversidade e inclusão, além de contra o preconceito. Tudo o que foi apontado até o momento não passa de uma pequena pincelada nessa discussão. Por isso, eu convido você a continuar acompanhando minhas postagens mensais no blog da ME Assessoria Literária e partir nessa viagem cheia de debate e autoconhecimento comigo. 


CURIOSIDADES SOBRE A MOCINHA REBELDE NOS ROMANCES DE ÉPOCA - POR CAROLINE SALIGNAC

22/04/2021 Comentários (6)

Se você tem o costume de ler romances de época, certamente já deve ter se deparado com o clichê da mocinha rebelde. É aquela personagem que rompe o modelo tradicional e se estabelece no universo ficcional como alguém à frente do seu tempo.

Nas narrativas de romances de época, em sua maioria, a protagonista é uma mulher com ideais fortes, insubmissa, rebelde e questionadora, que confronta o comportamento social de seu tempo. Sob a ótica dessa protagonista, o leitor desenvolve o senso crítico acerca das bizarrices do passado em confronto com a sociedade atual.

 

Mas, afinal, como se comportavam as mulheres no século XIX?

Sabemos que no século XIX, a mulher deveria obedecer uma série de normas e códigos do bom-tom. Ela, por exemplo, não podia ficar a sós com uma pessoa do sexo oposto, não podia dançar tantas vezes com um só parceiro, não podia falar em reuniões sociais e até o seu riso tinha de ser contido.

Tudo o que ela fizesse tinha o intuito de agradar o outro e assim conseguir um bom casamento, dessa forma, todas as suas atitudes e atributos eram direcionados a atrair um bom pretendente. A mulher, nesse período, só tinha um objetivo de vida: adquirir matrimônio.

A sociedade oitocentista moldou mulheres submissas, inferiores, leigas, silenciosas e obedientes. Portanto, uma protagonista que fugisse desse padrão era considerada rebelde.

 

E como eram as moças dos romances clássicos?

Nos clássicos, escritos em sua maioria por homens, é raro encontrar uma protagonista de peso, que se rebele contra os padrões impostos. Encontramos nesses clássicos, arquétipos de mocinhas dóceis, fragilizadas, puras, leigas e ingênuas. Ou o seu contraponto, que seria a mulher sedutora, aquela que arruína o protagonista masculino, torna-se uma monstruosidade, a femme fatale, e etc.

Não há meio termo em que a personagem feminina se configure como sujeito, como centro da narrativa, ou é descrita de forma genuína e correta.


As mocinhas rebeldes dos romances de época

No RÉ*, temos a chance de alterar a construção da personagem feminina nas narrativas e destacar não só a sua feminilidade, mas o seu poder como protagonista de sua própria história. A mulher deixa de ser objeto e passa a ser sujeito. Ela tem o poder da escolha e poder de traçar seu próprio destino, além de ter atitudes e pensamentos que condizem mais com a época contemporânea do que a época em que se ambienta a história.

Não pense que é um erro das escritoras de RÉ construir personagens femininas fortes ou que buscam a emancipação. Na verdade, isso é uma característica bastante presente dentro do gênero, porque possibilita a leitora atual se identificar com a personagem do livro.

No gênero, a trama central se desenvolve a partir de relacionamentos românticos, de um casal central que culmina em um casamento ou numa união por amor. Contudo, ainda podemos perceber as nuances do peso da protagonista.

É certo que dentro do gênero de RÉ, há diversas configurações de mocinhas. Elas são descritas de diferentes trejeitos, personalidades, fisionomias, classes sociais. No entanto, a protagonista mais aparente dentro dessas narrativas é a rebelde, a mocinha à frente do seu tempo.

Tal mulher tem ideias avançadas e foge às convenções sociais, pensa e age como indivíduo da época retratada na obra, mas é visionária, politizada e à frente do seu tempo.

 

As características das mocinhas rebeldes

Esse tipo de personagem é insubmissa, que não tem medo de confrontar o mocinho, como a Kate, em “O visconde que me amava”, de Julia Quinn. E acaba se tornando uma pedrinha no sapato do protagonista, destacando as imperfeições do galã da narrativa e o confrontando, sempre que possível, acerca desses defeitos e atitudes incoerentes.

Temos a mocinha que confronta a sociedade, como a Peggy em “A rosa do inverno”, de Patricia Cabot; ou aquela que, embora estivesse beirando o estigma da solteirona, é superior à situação e não aceita migalhas, como a Minerva, em “Codinome Lady V”, de Lorraine Heath. Até mesmo em “Arrufos – desavenças de amor”, livro de minha autoria, Amélia – e até mesmo Inocência – tem uma visão crítica acerca da sociedade e não admite as injustiças tanto raciais como sexuais.

Tais mulheres são personagens que não conseguem se enquadrar no meio social e não fazem questão disso, Elas estão acima dos estigmas e não têm medo de expressar opiniões, emoções e pensamentos. Também não se intimidam pelos personagens masculinos, mas se mostram corajosas para confrontá-los.

 

O que esse tipo de personagem deseja despertar no leitor?

Sendo assim, sob a ótica da mocinha rebelde, o leitor tem a chance de questionar, através do contato com a sociedade fictícia, a própria sociedade em que vive. A protagonista com esse perfil é importante para se discutir a condição feminina e como a mulher pode romper padrões sociais e patriarcais.

Embora o gênero retrate um período passado (geralmente os livros são ambientados no século XIX), a mocinha não é insossa nem superficial, mas tem fortes opiniões e não aceita os critérios sociais impostos.

Enfim, você conhece algum Romance de época que tenha esse perfil de protagonista?

*Abreviação de Romance de época.

Romance de época: O gênero concentra em retratar narrativas românticas ambientadas em épocas passadas, mas sem focar em eventos nem pessoas históricas.


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19/04/2021 Comentários (6)

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