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ANTOLOGIAS: O QUE SÃO? POR CAROL S. WAHL

07/10/2021 Comentários (0)

 

Se você procurar na internet a definição de antologia o que irá encontrar é basicamente isso: conjunto formado por diversas obras que exploram um mesmo tema.

Para mim, o significado é um pouco diferente: minha porta de entrada para a literatura.

Sim, eu comecei a escrever através das antologias.

 No início de 2020 em um dia tedioso no trabalho resolvi iniciar um Instagram literário, afinal precisava conversar com alguém sobre meu assunto favorito: livros. E me deparei com um edital para antologias.

Sem fazer ideia de como escrever um texto, resolvi submeter meu conto para a avalição. Foi apenas no terceiro conto que fui aceita, e nossa, ainda bem que continuei insistindo!

Hoje, estou em várias antologias dos mais variados gêneros, desde policial a romance de época, e prometi a mim mesma que não irei me inscrever para mais nenhuma. Bom, pelo menos até o próximo edital que me chamar atenção...

Como entrei em muitas antologias com editoras diferentes, resolvi trazer para vocês um pouquinho sobre isso que me incentivou a ser autora.

Diversas editoras trabalham com antologias e cada uma tem sua maneira de seleção e publicação. Isso quer dizer que existe uma melhor? Não, tudo vai depender do que você espera da experiência.

A primeira antologia em que participei foi de romance erótico. Foram abertos editais para três gêneros distintos e o que mais vendesse teria seus contos transformados em livros. Acontece que a editora chefe abriu para todos, e os autores que enviaram seus livros dentro do prazo serão publicados em forma de e-book. É uma grande oportunidade não é? Bem, eu não consegui enviar meu livro dentro do prazo, por isso meu conto não será transformado em livro pela editora, talvez de forma independente... Mas eu fiquei tão empolgada com essa editora, me identifiquei tanto com seus ideais e publicações que esse ano resolvi me aventurar novamente e fui aceita nas três antologias!

Esse foi um concurso que precisei investir, e confesso que o valor foi um pouco alto, ainda mais esse ano em que passei nas três antologias. No início, isso fez com que eu ficasse com o pensamento de “só entrei porque paguei”, mas conhecendo outros autores e a editora vi que não é bem por esse caminho. Primeiro, porque você paga apenas após ser selecionado, então se não gostarem de seu conto de primeira, não adianta você pagar. 

E segundo, porque comecei a encarar isso como um investimento em minha carreira. O bônus é que o autor recebe cinco exemplares da antologia em que participa.

Em contrapartida, estou em três antologias de financiamento coletivo. Duas dessas já foram financiadas e uma ainda entrará esse ano. E como funciona isso? A editora inscreve o projeto em uma plataforma – a utilizada paras essas antologias foi o catarse – e coloca uma meta a ser alcançada. Dentro dessa meta, existem várias submetas, que quando alcançadas vão liberando “plus” para o livro, como, por exemplo, orelha na capa, papel pólen, diagramação, entre outras.

 Esse não é meu método favorito. Confesso que sofri muito na expectativa do livro ser lançado ou não e infelizmente não é fácil encontrar pessoas dispostas a abraçar o projeto. E isso vale também para os autores participantes. São em média trinta pessoas e não são todos que se empenham a vender o peixe, pelo contrário, é a minoria.

 A última editora em que participei de antologias também teve investimento, mas foi um valor bem simbólico e irei receber apenas uma edição.

            Mas, isso dá lucro?

            Bom, não são todas as editoras que dividem o lucro com os autores e eu acredito que o autor não receba muito, já que precisa dividir com os outros participantes. Porém isso nunca foi meu foco. Me aventurei nas antologias porque achei uma ótima forma de testar minha escrita, me desafiar com gêneros diferentes e fazer meu networking.

            E esse último foi o mais importante: as pessoas que conheci. Sim, em todas que participei conheci autores sensacionais e super dispostos a ajudar um ao outro. Eu, como ainda estou no comecinho dessa carreira, aprendi muito com as pessoas que entraram no meu caminho.

            Por isso, se você está pensando em iniciar sua carreira a participação em antologias irá te ajudar muito a entender seu estilo. Independente de como ela será publicado.

            Fico por aqui, porque acabei de encontrar mais um edital incrível. E quem disse que consegui resistir?


O QUE É LITERATURA? - POR NATALIA MORENO

03/09/2021 Comentários (2)

 


Escrever sobre literatura é um tanto amplo, afinal o que ela é? Estamos rodeados de classificações, nomeações, críticos, lista de livros de leitura obrigatória, de livros que devemos passar longe. E quem inventou tudo isso?

Ao fazermos uma pesquisa a fundo veremos estudiosos que defendem com unha e dente que literatura é isso ou aquilo. Para mim (e para Antoine Compagnon) literatura é literatura. É uma arte e ponto.

É através dela que conhecemos a cultura de um povo, percebemos as mudanças que o tempo provocou na sociedade e que foi refletido em obras literárias (quem é que faz sarau em casa assim como relatado no livro A Moreninha?). É nela que nos apaixonamos pelas histórias que poderiam ser reais, pelos fatos históricos e locais descritos, envolvemos em situações e acabamos sofrendo e amando junto com os personagens.

Acontece que diante de todo o estudo literário haverá essa sede em encontrar uma definição. A sociedade é assim, enquanto não coloca cada coisa em seu devido lugar, às vezes, por rótulos, não sossega. Temos essa mania de achar que tudo deve ter uma explicação. Deixamos de viver a dúvida.

Se eu fosse tentar descrever o que é literatura diria que é tudo o que é impresso com esse fim. Agora se esta é interessante ou não vai depender do leitor. Temos leitor para todo tipo de escrita e de histórias. Cansei de ouvir que tal escritor não escreve nada com nada que só quer vender livros... Bom, se ele vende é porque alguém gosta e se alguém gosta é porque é bom e isso torna os livros dessa pessoa literatura.

Lembro-me que em uma aula na faculdade o professor disse: “Não se pergunta o que é literatura, mas a pergunta nos incita a pensar e debater”. E pensando e debatendo chego a conclusão (por enquanto, porque sou livre para mudar de opinião quando bem entender) de que quem faz a literatura somos nós, às vezes, tardamos em aceitar que tal obra deveria ter tido mais atenção e outra deveria ter ficado na gaveta.

Ao escrever este texto posso ver vários estudiosos do assunto torcendo nariz, mas não me importo. Continuo dizendo que literatura é literatura e que somos nós, leitores, que decidimos se vale ou não a pena ler. Apesar da minha formação dar a ideia de que eu deveria ser mais rígida e criticar certos livros, eu reafirmo: se eles vendem é porque é literatura.

Só irei criticar se você vier até a mim e perguntar-me: Natalia, o que você acha de tal livro? Serei sincera na resposta que poderá ser: ótimo, lixo e o que é isso?! Mas acima de tudo respeito o seu gosto, afinal cada um tem o seu.

Para Douglas Tufano “literatura é a expressão de um conhecimento pessoal da realidade”, e como cada cidadão vive uma realidade não há uma única forma do artista expressar-se, não existe uma forma correta a seguir. Cada autor é livre para encontrar-se e expressar-se.

DESVENDANDO OS CAMINHOS DA ESCRITA - POR GLÓRIA BALIEIRO

25/08/2021 Comentários (0)

 


Vamos desvendar um pouco os caminhos da escrita?

Será mesmo que precisa ter muito talento para escrever algo relevante? Algo que o público vai gostar de ler e será um sucesso?

Essa é uma boa pergunta e talvez uma dúvida entre muitos que querem começar a escrever e viver de escrita.

Escrevo a algum tempo, mas somente há mais ou menos 10 anos isso se transformou em dois livros. Um dos quesitos básicos para escrever é gostar de ler e ser curioso em relação a quase tudo, além de ter muita bagagem e conteúdo, pois isso facilitará no processo.

Escrevo ficção e também poesias, mas escrever somente não é o suficiente.

Os caminhos entre a escrita e o leitor é complexo, exige paciência e persistência na busca dessa ponte. Não se deixe desanimar, não se desespere. Tudo tem seu tempo para aprender. Não queria fazer tudo, participar de tudo, comentar tudo (usei a palavra 'tudo' várias vezes de propósito, pois já fui assim, a ansiedade de fazer acontecer é um desastre total).

Hoje sigo bem mais tranquila, mais constante e em paz. Aprendi a respeitar meus limites e meu coração, faço algo somente se me sentir feliz e bem ao fazer.

Aprendi também a respeitar o tempo de cada coisa. Posso dizer que amadureci, essa é a palavra, saber seguir quando necessário e retroceder quando não faz sentido.

Às vezes começo a escrever um tema e mudo no meio da escrita, como agora, estava dizendo que temos tantas perspectivas quando escrevemos um livro, e hoje sei que é preciso bem mais que isso, para que os leitores possam ler o seu livro e chegar ao público certo.

Gosto de escrever essas reflexões sobre minhas experiências e meu olhar sobre a vida, pois para mim é o mais importante. Sou uma pessoa que preciso sentir, olhar para trás com carinho e saber que tudo é experiência e aprendizado, não há nada de errado nisso.

Sem neuras, sem culpas, sou uma escritora e vou continuar sendo. Sempre escrevendo, mudando quando necessário, pois somos seres mutáveis e estamos em constante evolução, agora mais do que nunca, mas que sejam mudanças conscientes e reflexivas para nos tornarmos seres melhores e mais felizes.

Até mais!

Gratidão Sempre!

O LIBERTINO QUE NÓS AMAMOS (NOS ROMANCES DE ÉPOCA) - POR CAROLINE SALIGNAC

10/08/2021 Comentários (2)

 


Se você já leu algum romance de época, deve ter se esbarrado com a figura do libertino. Sim, o libertino dos RÉs é o galã com um humor sarcástico e irônico, de bela aparência, bom de cama, que conquista todas as mulheres, mas ao se deparar com o amor da sua vida, torna-se o esposo mais fiel que existe na face da terra. Você com certeza já deve tê-lo visto em algum romance e se apaixonado quase de imediato por ele.

Mas esta representação do libertino dentro do gênero, na verdade, é uma ilusão. Neste post, vamos destrinchar um pouco essa figura.

Como, de fato, era um libertino?

Os libertinos reais do passado, como Casanova, Lord Byron, Petrônio Marquês de Sade, dentre outros, não tinham uma sexualidade definida. Eles se relacionavam tanto com homens quanto mulheres, em alguns casos, até com crianças; tinham desvio de personalidade, e com toda a certeza, mesmo que estivessem apaixonados, jamais seriam fiéis. 

Podres de ricos, com o humor ácido, de bela aparência, e bons de lábia, seduziam qualquer pessoa que quisessem, essas eram as principais características dos libertinos, e talvez as únicas que se assemelham com os personagens dos RÉs.

Vamos conhecer alguns desses libertinos em sua totalidade:

Lord Byron: Com um título de barão, Lord Byron estudou nas melhores faculdades, inclusive chegou a se apaixonar por um amigo em Cambridge, chamado John Edleston, e escreveu vários poemas com cunho pessimista, com a morte sendo o tema central. Mas vamos ao que interessa, Lord Byron teve diversos relacionamentos românticos, no mesmo ano que se relacionava com Caroline Lamb (escritora) também se relacionou com Jane Elizabeth Scott.

Logo depois teve um relacionamento incestuoso com a meia-irmã que era mais velha que ele, inclusive, ela até engravidou dele, mas Byron não assumiu a paternidade por não ter certeza se era o pai. Viveu por um tempo com o casal Shelley (sabe a autora de Frankenstein? É ela mesma, Mary Shelley), e há alguns boatos que ele chegou a se relacionar com os dois, mas há provas concretas de que ele chegou a ter intimidades com a irmã de Mary. Relacionou-se com mulheres casadas, apaixonou-se por meninas, dentre outras coisas. Por fim, foi considerado herói nacional na Grécia por lutar na guerra de independência do país. Vida boa, hein?

Marquês de Sade: Já Marquês de Sade teve uma vida mais agitada. Escritor libertino, sua obra era pornográfica e terrivelmente sádica, inclusive o termo “sádico” veio justamente do nome do marquês, “Sade”, fazendo referências as cenas de crueldade e tortura descritas em seus escritos. Marquês era casado, mas isso não o impedia de viver sua libertinagem, foi preso logo nos anos iniciais do matrimônio por libertinagem. 

Realizava grandes festas e orgias, provocando escândalos, por também envolver criados e prostitutas no meio. Sade passou grande parte de sua vida em prisões e manicômios, pagando por crimes de licenciosidade, perversões e violências sexuais. O próprio Napoleão jogou uma de suas obras (Justine) no fogo, afirmando ser o livro mais abominável já escrito. Sade chegou a ser condenado à pena de morte, mas foi liberado. Ele se envolvia com mulheres, homens, crianças, tudo. Se você tem interesse em saber mais sobre suas libertinagens, leia o livro “120 de Sodoma”.

Por que os libertinos dos RÉs são tão diferentes da realidade?

Simplesmente os libertinos retratados no gênero correspondem aos ideais do público leitor feminino. As leitoras (desse gênero) não gostam de ler sobre adultério, pedofilia, alto nível de sadomasoquismo, nem ver a mocinha sofrer horrores pelo desvio de conduta do amor da sua vida, como vemos em vários clássicos, como por exemplo, a situação de Flor e Vadinho, em “Dona Flor e seus dois maridos”, de Jorge Amado, ou a situação angustiante da protagonista em “A baronesa do amor”, de Joaquim Manuel de Macedo, que se casa com um libertino da pior espécie e sofre por conta disso.

Não, as leitoras não querem vivenciar essas tragédias, muito pelo contrário, elas se satisfazem com o arco de redenção do mocinho sem virtude e canalha. Adoram ver o libertino (que jurava nunca se amarrar num relacionamento) virar “cadelinha” da mocinha e constituir uma bela família feliz. Tudo muito diferente do que foi a vida de um libertino.

Mas os libertinos apresentados nos RÉs só tem a fama, já que a maioria das escritoras não descrevem, de fato, os rapazes em meio às orgias e bacanais. A narrativa passa muito longe do que seria um libertino. Pense no maior libertino que leu e me responda: Há alguma cena em que o devasso tem intimidades com alguém sem ser a mocinha? Ou flerta com alguém sem ser a mocinha? De onde vem a fama de libertino? Há menção de alguma amante? Há menção de algum episódio obsceno em que ele esteja envolvido? Se a resposta for não, você caiu no conto do falso libertino, que geralmente floreiam os RÉs mais conhecidos.

Separei alguns exemplos de personagens que nos lembram vagamente o que se seria um libertino dos séculos passados. A descrição deles responde positivamente ao menos uma das questões levantadas no parágrafo anterior, são eles:

Branden Granville (Aprendendo a seduzir, de Patricia Cabot);

Edwards Rawlings (A rosa do inverno, de Patricia Cabot);

Sebastian St. Vincent (Pecados no inverno, Lisa Kleypas);

Sebastian Ballister (O príncipe dos canalhas, de Loretta Chaise) – tenho algumas ressalvas sobre este libertino, mas ele também se enquadra na lista;

Marquês de Ralston (Nove regras a ignorar antes de se apaixonar, de Sarah MacLean);

Colin Sandhurst Payne (Uma semana para se perder, de Tessa Dare).

Se você leu algum romance de época ou clássico, que existe a figura do libertino, conta aqui pra gente nos comentários. Se quiser complementar ou discordar do post, também pode comentar.

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