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O QUE É LITERATURA? - POR NATALIA MORENO

03/09/2021 Comentários (1)

 


Escrever sobre literatura é um tanto amplo, afinal o que ela é? Estamos rodeados de classificações, nomeações, críticos, lista de livros de leitura obrigatória, de livros que devemos passar longe. E quem inventou tudo isso?

Ao fazermos uma pesquisa a fundo veremos estudiosos que defendem com unha e dente que literatura é isso ou aquilo. Para mim (e para Antoine Compagnon) literatura é literatura. É uma arte e ponto.

É através dela que conhecemos a cultura de um povo, percebemos as mudanças que o tempo provocou na sociedade e que foi refletido em obras literárias (quem é que faz sarau em casa assim como relatado no livro A Moreninha?). É nela que nos apaixonamos pelas histórias que poderiam ser reais, pelos fatos históricos e locais descritos, envolvemos em situações e acabamos sofrendo e amando junto com os personagens.

Acontece que diante de todo o estudo literário haverá essa sede em encontrar uma definição. A sociedade é assim, enquanto não coloca cada coisa em seu devido lugar, às vezes, por rótulos, não sossega. Temos essa mania de achar que tudo deve ter uma explicação. Deixamos de viver a dúvida.

Se eu fosse tentar descrever o que é literatura diria que é tudo o que é impresso com esse fim. Agora se esta é interessante ou não vai depender do leitor. Temos leitor para todo tipo de escrita e de histórias. Cansei de ouvir que tal escritor não escreve nada com nada que só quer vender livros... Bom, se ele vende é porque alguém gosta e se alguém gosta é porque é bom e isso torna os livros dessa pessoa literatura.

Lembro-me que em uma aula na faculdade o professor disse: “Não se pergunta o que é literatura, mas a pergunta nos incita a pensar e debater”. E pensando e debatendo chego a conclusão (por enquanto, porque sou livre para mudar de opinião quando bem entender) de que quem faz a literatura somos nós, às vezes, tardamos em aceitar que tal obra deveria ter tido mais atenção e outra deveria ter ficado na gaveta.

Ao escrever este texto posso ver vários estudiosos do assunto torcendo nariz, mas não me importo. Continuo dizendo que literatura é literatura e que somos nós, leitores, que decidimos se vale ou não a pena ler. Apesar da minha formação dar a ideia de que eu deveria ser mais rígida e criticar certos livros, eu reafirmo: se eles vendem é porque é literatura.

Só irei criticar se você vier até a mim e perguntar-me: Natalia, o que você acha de tal livro? Serei sincera na resposta que poderá ser: ótimo, lixo e o que é isso?! Mas acima de tudo respeito o seu gosto, afinal cada um tem o seu.

Para Douglas Tufano “literatura é a expressão de um conhecimento pessoal da realidade”, e como cada cidadão vive uma realidade não há uma única forma do artista expressar-se, não existe uma forma correta a seguir. Cada autor é livre para encontrar-se e expressar-se.

DESVENDANDO OS CAMINHOS DA ESCRITA - POR GLÓRIA BALIEIRO

25/08/2021 Comentários (0)

 


Vamos desvendar um pouco os caminhos da escrita?

Será mesmo que precisa ter muito talento para escrever algo relevante? Algo que o público vai gostar de ler e será um sucesso?

Essa é uma boa pergunta e talvez uma dúvida entre muitos que querem começar a escrever e viver de escrita.

Escrevo a algum tempo, mas somente há mais ou menos 10 anos isso se transformou em dois livros. Um dos quesitos básicos para escrever é gostar de ler e ser curioso em relação a quase tudo, além de ter muita bagagem e conteúdo, pois isso facilitará no processo.

Escrevo ficção e também poesias, mas escrever somente não é o suficiente.

Os caminhos entre a escrita e o leitor é complexo, exige paciência e persistência na busca dessa ponte. Não se deixe desanimar, não se desespere. Tudo tem seu tempo para aprender. Não queria fazer tudo, participar de tudo, comentar tudo (usei a palavra 'tudo' várias vezes de propósito, pois já fui assim, a ansiedade de fazer acontecer é um desastre total).

Hoje sigo bem mais tranquila, mais constante e em paz. Aprendi a respeitar meus limites e meu coração, faço algo somente se me sentir feliz e bem ao fazer.

Aprendi também a respeitar o tempo de cada coisa. Posso dizer que amadureci, essa é a palavra, saber seguir quando necessário e retroceder quando não faz sentido.

Às vezes começo a escrever um tema e mudo no meio da escrita, como agora, estava dizendo que temos tantas perspectivas quando escrevemos um livro, e hoje sei que é preciso bem mais que isso, para que os leitores possam ler o seu livro e chegar ao público certo.

Gosto de escrever essas reflexões sobre minhas experiências e meu olhar sobre a vida, pois para mim é o mais importante. Sou uma pessoa que preciso sentir, olhar para trás com carinho e saber que tudo é experiência e aprendizado, não há nada de errado nisso.

Sem neuras, sem culpas, sou uma escritora e vou continuar sendo. Sempre escrevendo, mudando quando necessário, pois somos seres mutáveis e estamos em constante evolução, agora mais do que nunca, mas que sejam mudanças conscientes e reflexivas para nos tornarmos seres melhores e mais felizes.

Até mais!

Gratidão Sempre!

O LIBERTINO QUE NÓS AMAMOS (NOS ROMANCES DE ÉPOCA) - POR CAROLINE SALIGNAC

10/08/2021 Comentários (2)

 


Se você já leu algum romance de época, deve ter se esbarrado com a figura do libertino. Sim, o libertino dos RÉs é o galã com um humor sarcástico e irônico, de bela aparência, bom de cama, que conquista todas as mulheres, mas ao se deparar com o amor da sua vida, torna-se o esposo mais fiel que existe na face da terra. Você com certeza já deve tê-lo visto em algum romance e se apaixonado quase de imediato por ele.

Mas esta representação do libertino dentro do gênero, na verdade, é uma ilusão. Neste post, vamos destrinchar um pouco essa figura.

Como, de fato, era um libertino?

Os libertinos reais do passado, como Casanova, Lord Byron, Petrônio Marquês de Sade, dentre outros, não tinham uma sexualidade definida. Eles se relacionavam tanto com homens quanto mulheres, em alguns casos, até com crianças; tinham desvio de personalidade, e com toda a certeza, mesmo que estivessem apaixonados, jamais seriam fiéis. 

Podres de ricos, com o humor ácido, de bela aparência, e bons de lábia, seduziam qualquer pessoa que quisessem, essas eram as principais características dos libertinos, e talvez as únicas que se assemelham com os personagens dos RÉs.

Vamos conhecer alguns desses libertinos em sua totalidade:

Lord Byron: Com um título de barão, Lord Byron estudou nas melhores faculdades, inclusive chegou a se apaixonar por um amigo em Cambridge, chamado John Edleston, e escreveu vários poemas com cunho pessimista, com a morte sendo o tema central. Mas vamos ao que interessa, Lord Byron teve diversos relacionamentos românticos, no mesmo ano que se relacionava com Caroline Lamb (escritora) também se relacionou com Jane Elizabeth Scott.

Logo depois teve um relacionamento incestuoso com a meia-irmã que era mais velha que ele, inclusive, ela até engravidou dele, mas Byron não assumiu a paternidade por não ter certeza se era o pai. Viveu por um tempo com o casal Shelley (sabe a autora de Frankenstein? É ela mesma, Mary Shelley), e há alguns boatos que ele chegou a se relacionar com os dois, mas há provas concretas de que ele chegou a ter intimidades com a irmã de Mary. Relacionou-se com mulheres casadas, apaixonou-se por meninas, dentre outras coisas. Por fim, foi considerado herói nacional na Grécia por lutar na guerra de independência do país. Vida boa, hein?

Marquês de Sade: Já Marquês de Sade teve uma vida mais agitada. Escritor libertino, sua obra era pornográfica e terrivelmente sádica, inclusive o termo “sádico” veio justamente do nome do marquês, “Sade”, fazendo referências as cenas de crueldade e tortura descritas em seus escritos. Marquês era casado, mas isso não o impedia de viver sua libertinagem, foi preso logo nos anos iniciais do matrimônio por libertinagem. 

Realizava grandes festas e orgias, provocando escândalos, por também envolver criados e prostitutas no meio. Sade passou grande parte de sua vida em prisões e manicômios, pagando por crimes de licenciosidade, perversões e violências sexuais. O próprio Napoleão jogou uma de suas obras (Justine) no fogo, afirmando ser o livro mais abominável já escrito. Sade chegou a ser condenado à pena de morte, mas foi liberado. Ele se envolvia com mulheres, homens, crianças, tudo. Se você tem interesse em saber mais sobre suas libertinagens, leia o livro “120 de Sodoma”.

Por que os libertinos dos RÉs são tão diferentes da realidade?

Simplesmente os libertinos retratados no gênero correspondem aos ideais do público leitor feminino. As leitoras (desse gênero) não gostam de ler sobre adultério, pedofilia, alto nível de sadomasoquismo, nem ver a mocinha sofrer horrores pelo desvio de conduta do amor da sua vida, como vemos em vários clássicos, como por exemplo, a situação de Flor e Vadinho, em “Dona Flor e seus dois maridos”, de Jorge Amado, ou a situação angustiante da protagonista em “A baronesa do amor”, de Joaquim Manuel de Macedo, que se casa com um libertino da pior espécie e sofre por conta disso.

Não, as leitoras não querem vivenciar essas tragédias, muito pelo contrário, elas se satisfazem com o arco de redenção do mocinho sem virtude e canalha. Adoram ver o libertino (que jurava nunca se amarrar num relacionamento) virar “cadelinha” da mocinha e constituir uma bela família feliz. Tudo muito diferente do que foi a vida de um libertino.

Mas os libertinos apresentados nos RÉs só tem a fama, já que a maioria das escritoras não descrevem, de fato, os rapazes em meio às orgias e bacanais. A narrativa passa muito longe do que seria um libertino. Pense no maior libertino que leu e me responda: Há alguma cena em que o devasso tem intimidades com alguém sem ser a mocinha? Ou flerta com alguém sem ser a mocinha? De onde vem a fama de libertino? Há menção de alguma amante? Há menção de algum episódio obsceno em que ele esteja envolvido? Se a resposta for não, você caiu no conto do falso libertino, que geralmente floreiam os RÉs mais conhecidos.

Separei alguns exemplos de personagens que nos lembram vagamente o que se seria um libertino dos séculos passados. A descrição deles responde positivamente ao menos uma das questões levantadas no parágrafo anterior, são eles:

Branden Granville (Aprendendo a seduzir, de Patricia Cabot);

Edwards Rawlings (A rosa do inverno, de Patricia Cabot);

Sebastian St. Vincent (Pecados no inverno, Lisa Kleypas);

Sebastian Ballister (O príncipe dos canalhas, de Loretta Chaise) – tenho algumas ressalvas sobre este libertino, mas ele também se enquadra na lista;

Marquês de Ralston (Nove regras a ignorar antes de se apaixonar, de Sarah MacLean);

Colin Sandhurst Payne (Uma semana para se perder, de Tessa Dare).

Se você leu algum romance de época ou clássico, que existe a figura do libertino, conta aqui pra gente nos comentários. Se quiser complementar ou discordar do post, também pode comentar.

NÃO GOSTARAM DO MEU LIVRO, E AGORA? - POR CAROL S. WAHL

18/07/2021 Comentários (8)



Quando decidi me tornar escritora, coloquei em minha cabeça que não me deixaria afetar pelas críticas. Iria tirar proveito de tudo o que me fosse dito, e usar isso para crescer profissionalmente.

Mas a prática é bem diferente da teoria.

E assim que as primeiras críticas chegaram, já pensei: vou parar de escrever! Afinal, se não gostaram do meu livro, não levo jeito para isso. Fechei meu computador com raiva e fui assistir a um filme.

Porém, a vontade de escrever foi mais forte.

Então comecei a pensar: eu vou parar de fazer algo que me faz tão bem, já nas primeiras críticas?

Antes de ser autora, eu sou leitora. Sempre li muito, e tenho a minha lista de autores favoritos. Dentre esses autores está Stephen King, o mestre do terror. Recentemente li seu último lançamento e... Não gostei! E posso citar muitos exemplos de autores que não me agradaram. E isso faz deles menos autores? Claro que não!

Gosto é algo muito individual. Às vezes aquele livro não é o que precisamos ler no momento, a escrita do autor é um pouco enroscada ou até mesmo não gostamos de determinado personagem. E quando nos tornamos autores, temos que ter isso em mente. Por mais que seja difícil aceitar que algo a que dedicamos tanto tempo e carinho possa não ser apreciado por todos, é natural que não consigamos agradar a todos os leitores.

 Somos seres plurais. Algumas pessoas não gostarem do que você escreveu, não quer dizer que você não saiba escrever. E da mesma forma, os elogios devem ser encarados de maneira contida. Não é porque elogiaram o que escrevi que posso deixar de estudar e me especializar cada vez mais nisso que escolhi para ser minha profissão.

E com essa primeira experiência negativa, eu aprendi muito. Aprendi principalmente que é possível sim tirarmos proveito das críticas, se tivermos a humildade de aceita-las.

Mas não vou mentir e dizer que foi rápido esse aprendizado, e posso afirmar que foi até um pouco doloroso. Não existe manual que possa nos preparar para isso. A verdade é que para você ser autor, além de muita dedicação, acredito que um dos principais ingredientes seja a coragem.

Em tudo o que escrevemos colocamos um pouco de nós. Um pouco do que sentimos, do que somos e do que pensamos. Por mais que muitas vezes nossos personagens ou histórias não sejam inspirados diretamente em algo que vivemos, é natural que no decorrer da história a gente acabe colocando um pedacinho de nós neles. E é preciso muita coragem para deixar que outras pessoas tenham acesso a algo tão intimo.

Eu não decidi ser escritora para agradar a todos. Decidi porque é algo que me faz bem, que deixa meus dias mais leves e que faz com que eu me sinta desafiada. Por isso, desistir está completamente fora do meu vocabulário.

Foram apenas as primeiras criticas, e tenho certeza que virão outras. Mas também virão muitos elogios e trocas com leitores. E é isso que para mim faz com que ser escritora seja algo que valha a pena.

Não gostaram do meu livro, e agora?

Agora eu me dedico ainda mais no próximo, para que as pessoas que tiveram uma opinião positiva continuem. E para que eu consiga convencer as que não gostaram que mereço uma segunda chance.

E se mesmo assim elas não gostarem? Paciência... Isso não pode – e nem vai, me fazer desistir.

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